segunda-feira, 23 de março de 2026

A estagnação emocional e a liberdade em Cristo - Romanos 6.14

A estagnação emocional pode ser uma uma defesa criada por dores e traumas passados, um sistema inconsciente de proteção que se cria para não ter de lidar com o sofrimento registrado na memória, pois isso fará a pessoa reviver (mesmo que na lembrança, visto que as sensações e sentimentos que se tem, é como se estivesse vivendo a situação novamente). Isso é como se fosse um espelho que ajuda a pessoa a entender que seu coração ferido criou mecanismos de proteção que, hoje, limitam a pessoa de viver sua liberdade em Cristo.  

Somos seres completos — corpo, alma, mente — porém, todos afetados pelo pecado. Contudo, redimidos por Cristo por meio de sua morte e ressurreição (Veja Romanos 6). Muitas vezes, essa estagnação é um reflexo de um coração machucado, que desenvolveu esquemas de defesa para sobreviver e muitas vezes não ter de lidar com a responsabilidade que também tem diante dos problemas. A salvação e a santificação não eliminam imediatamente essas marcas deixadas pelo pecado, mas iniciam um processo de cura pelo poder do Espírito Santo, que vai transformando nossos afetos ao longo do tempo. Esses afetos estão diretamente ligados ao coração, que segundo a Bíblia é enganoso e corrupto, e nos leva a buscar o prazer e a satisfação de nosso ego, criando assim “ídolos” que substituem  a verdadeira adoração ao Criador. Basicamente, fomos criados para adorar a Deus, mas na tentação do Éden, podemos ver que o desejo criado por Satanás através da mentira e do engano, levaram Eva a buscar o que o diabo disse que ela não tinha (o que não era verdade), a liberdade de fazer suas escolhas. Desta forma, ao ceder a tentação e consequentemente também Adão, a liberdade que pensaram que teriam ao comer do fruto proibido tornou-se para eles uma prisão, trazendo sentimentos como a culpa, a vergonha e o medo. A culpa como peso de ter que arcar com o “conhecimento do bem e do mal”, a vergonha de ter de encarar o seu próprio pecado diante de Deus e o medo de lidar com o juízo determinado: “certamente morrerás.”

É importante entender que esses mecanismos de defesa não anulam nossa responsabilidade de buscar mudança. Eles são estruturas que nos protegeram, mas que hoje podem nos impedem de viver a nova vida em Cristo (Pv 14.12; 16.25; 25.28; Jo 8.34; 2Pe 2.19b). Assim, o cristão deve reconhecer a necessidade de renovação apoiado na graça de Deus (Jo 8.32,36; Ef 2.8-9).

A verdadeira segurança não está em nossas defesas, que nos impedem de viver para Cristo, mas está em negar o nosso “eu”, tomar a nossa cruz e seguir a Cristo (Lc 9.23-24). A zona de conforto muitas vezes é apenas o conhecido, mesmo que disfuncional, por medo de perder controle ou segurança. A mudança verdadeira vem de uma confiança renovada em Deus, que é nossa verdadeira fortaleza.

 Crescer emocionalmente, à luz da cruz, significa conformar-se mais a Cristo, que sentiu dor e rejeição, mas nunca se entregou ao desespero (Hb 2.14-15; 4.14-16). Nosso crescimento passa por uma aproximação contínua com Ele na Palavra, oração e comunhão, permitindo que o Espírito transforme nossos afetos e padrões de medo e auto proteção (Jo 16.7-11).

 A estagnação não é definitiva, mas um reflexo de dor que Deus quer transformar. A partir daí, podemos trabalhar na renovação da mente com a Palavra, buscando substituir pensamentos negativos pelas verdades bíblicas (Rm 12.2; Ef 4.22-24; Cl 3.1-4, 5,12; Fp 4.8). É também importante tolerarmos o desconforto de uma mudança em nosso coração, que exige coragem de deixar para trás velhas formas de sobreviver. Em Cristo passamos a viver a verdadeira vida que Deus tem para nós (2Co 5.17).

 Por fim, é necessário trabalhar para abandonar a identidade de quem precisou ser para sobreviver — como alguém que controla, se protege ou se isola — mas abraçar a nova identidade em Cristo, que é vulnerável, perdoada e livre que ainda comete erros, mas está em processo de ser restaurada (2Co 3.18).

 A estagnação emocional muitas vezes é uma proteção disfuncional de um coração ferido, mas também idólatra (Mt 6.21; 15.19-20). Mas Deus, pela sua Graça, quer curar e transformar esses padrões adquiridos, levando a uma confiança mais profunda n’Ele e uma vida mais livre e autêntica. Para isso é preciso reconhecer seu pecado e buscar crescer na graça, na Palavra e na comunhão, e caminhar com esperança rumo à liberdade em Cristo, pois Aquele que começou a boa obra, vai terminá-la até o Dia de Cristo Jesus.