terça-feira, 20 de novembro de 2018

O Homem e o Evangelho: um problema a ser resolvido (Rm 3.9-20,23)


Já vimos que o evangelho teve sua origem em Deus e que o mesmo vem como as boas notícias para a humanidade. No entanto, para compreender esta boa notícia é preciso primeiro compreender as más notícias que estão por trás das boas notícias. O evangelho no revela que precisamos da salvação, mas a pergunta a se fazer é: ser salvo de quê? Vimos que, com a entrada do pecado no mundo veio também à maldição: “certamente morrerás.” (Gn 2.17) e “maldita é a terra por tua causa... Tus és pó e ao pó tornarás” (Gn 3.17,19). Com isso, todo ser humano se encontra debaixo da ira de Deus. Deus não tolera o pecado e todo aquele que vive na prática dele está debaixo desta ira (Jo 3.36). O pecado na Bíblia é descrito como a transgressão da Lei (1Jo 3.4). Certa vez recebi uma multa por ultrapassar o limite de velocidade e outro dia por estacionar em local proibido. Perante a lei sou culpado desta transgressão, porém, apesar do peso que isto trouxe ao meu bolso, não me senti terrivelmente culpado e nem perdi o sono por ter desobedecido à lei. Não precisei pedir perdão a ninguém. Porque não me senti culpado? Provavelmente porque considerando a questão, não foi algo tão grave a ponto de me fazer ficar desesperado, a não ser pela multa que tive de pagar, mas minha consciência não foi torturada por isso. Muitas pessoas pensam no pecado, especialmente o seu, como se fosse nada mais do que uma multa de trânsito, ou quem sabe uma pequena transgressão tal como mentir, fofocar, murmurar, sonegar um imposto entre outras coisas. Talvez pelo fato de pensar que há crimes piores do que estes tais como o roubo, assassinato, corrupção, eles não o consideram  um crime tão grave. Esta é uma forma muito simplista de pensar no pecado. De acordo com a Bíblia o pecado é muito mais do que uma simples violação das leis de trânsito ou de convívio social. Pecado é a quebra de um relacionamento e, ainda mais, é uma rejeição e repúdio ao governo, cuidado e autoridade de Deus de como Criador e Soberano dar ordens àqueles a quem Ele deu a vida. Pecado é a rebelião da criatura contra o seu Criador (Sl 14.1; 53.1; Rm 1.21-23).  
Onde tudo começou: ao nos criar, Deus tinha a intenção de que vivêssemos sob seu governo perfeito e justo, em alegria completa, adorando-o e servindo-o, vivendo em plena comunhão com Ele. O ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, tendo o domínio sobre toda a criação manifestando a glória de Deus ao mundo (Gn 1.26-28). O governo e autoridade do ser humano sobre a criação foi-lhes outorgada por Deus, eles estavam sob o domínio maior do Criador, que tinha todo o direito (e ainda tem) de lhes dar ordem. A árvore do conhecimento do bem do mal era uma lembrança deste fato. Ao olhar para a árvore, Adão e Eva deveriam lembrar que seu domínio e autoridade eram limitados. Eles eram criaturas e tinham a responsabilidade de administrar as obras de Deus. Ao comerem o fruto, eles não apenas violaram a Lei estabelecida por Deus (...“dela não comerás...”), mas rejeitaram a autoridade de Deus declarando-se independentes. Em todo o universo, havia somente uma coisa que Deus não dera como domínio para Adão, o próprio Deus. Mas, diante do argumento “sereis como Deus”, ele decidiu que essa situação não lhe era conveniente, por isso rebelou-se. Por causa disto, foram expulsos da presença do Senhor e se tornaram inimigos de Deus. Adão e Eva trocaram o favor de Deus pela busca do seu próprio prazer e de sua própria glória. Este foi o pecado cometido por Adão e também é o pecado cometido por todos nós. Rejeitamos as leis de Deus e queremos viver a vida do nosso jeito (e ninguém tem nada com isso). Por causa disto, as consequências do pecado foram desastrosas para eles e para todos os seus descendentes (Rm 5.12). A morte entrou no mundo e com ela toda maldição do pecado. Embora, não morressem fisicamente, na mesma hora em que comeram do fruto, eles morreram espiritualmente. Sua comunhão com Deus foi interrompida e, assim, seu coração corrompeu-se, sua mente se encheu de pensamentos egoístas, seus olhos se encheram de trevas e sua alma ficou destituída da glória de seu Criador (Rm 3.23).
O escândalo e a Loucura da pregação da Palavra da Cruz (1Co 1.18)
O Evangelho é cheio de pedras e tropeços para corações que pensam obstinadamente de si mesmo como sendo bons e autossuficientes. É revoltante para o ser humano reconhecer a sua pequenez e incapacidade diante da Verdade revelada por Deus na sua Palavra. Por isso, é tão importante entender a natureza e profundidade de nosso pecado. Se nos aproximamos do evangelho entendendo o pecado como algo de somenos valor, é sinal de que não entendemos o evangelho de Jesus Cristo.

Compreendendo o problema do pecado (Rm 3.10-12)
·         Não confunda o pecado com os efeitos do pecado: é comum apresentarmos o evangelho como a solução para a falta de significado, propósito e sentido na vida. Mas, o problema fundamental da humanidade vai muito além disto. Isto são apenas sintomas de uma doença mais grave incrustada no coração (Jr 17.9). Precisamos entender que a triste situação em que nos encontramos é resultado de algo que nós mesmos produzimos. Nós temos desobedecido a Palavra de Deus ignorando os seus mandamentos. Nós temos pecado contra Deus (Sl 51.4). Falar sobre o comportamento como sendo o problema do pecado, faz com que as pessoas se coloquem como vítimas (que culpa tenho eu se Adão pecou?) e, assim nunca encarem o fato de que elas são pecadoras e, portanto, merecedoras de condenação (Ez 18.20a).
·         Reduzir o pecado a um relacionamento quebrado: muitos falam sobre o pecado como se este fosse apenas uma contenda relacional entre Deus e o homem, e o que precisamos é pedir e aceitar o perdão de Deus. O ensino da Bíblia é que o pecado é realmente uma quebra do relacionamento com Deus, mas essa quebra consiste numa rejeição de Deus como Rei e Soberano sobre todas as coisas. Se reduzirmos o pecado à mera quebra de um relacionamento, nunca vamos entender porque a morte de Jesus foi exigida para resolver o problema.
·         Confundir pecado com pensamento negativo: “você foi criado para ser cabeça e não cauda”, “você é filho de Deus, por isso não pense pequeno, pense grande”. Estas são mensagens estimulantes para aumentar ainda mais o nosso orgulho. Apenas diga o que as pessoas querem ouvir e você terá muitos seguidores, igrejas lotadas e cheias de pessoas em busca de riquezas, prosperidade e felicidade. Prometa-lhes prosperidade material e uma vida sem doenças e logo você terá uma megaigreja. A Bíblia nos ensina que já pensamos de maneira muito elevada sobre nós mesmos. Lembre-se da promessa da serpente: “você precisam ampliar sua visão, chegar ao seu pleno potencial, ser como Deus, vocês precisam pensar grande!” Qual foi o resultado de se buscar isso?
·         Confundir o pecado com pecados: não temos dificuldades em admitir os nossos pecados (mentira, fofocas, traição, roubo, desonestidade), pois os vemos como pequenos erros que todos cometem (até justificamos dizendo: aquele que não tem pecado que atire a primeira pedra), com alguns já nos acostumamos.  O que é chocante é ter de encarar a sujeira que permeia o nosso coração, as impurezas e corrupção que existe no mais íntimo de nosso ser. Algo que está em nós, é nosso e não está apenas sobre nós. Pensamos no pecado apenas como uma sujeira num vidro que precisa ser limpo e que basta um bom produto para deixá-lo totalmente transparente. A natureza humana não é tão bela assim, a sujeira não está do lado de fora, pelo contrário, está impregnada em nós (Mt 15.19). Somos escravos do pecado, condenados a passar a eternidade longe de Deus.
Não basta dizer que Jesus nos perdoa de nossos pecados. Somente quando compreendemos a nossa própria natureza, que estamos ‘mortos em nossos delitos e pecados’, é que veremos quão boas são as novas de que há um meio de sermos salvos.
O julgamento de Deus contra o pecado (Rm 3.19-20)
A Bíblia diz que toda a humanidade está debaixo do pecado e, portanto, sujeitos à ira e condenação de Deus. A Bíblia é muita clara, como vimos, a respeito da verdade de que Deus é o Criador, justo e santo e, por isso, não aceitará desculpas pelo pecado. Romanos 6.23 diz que “o salário do pecado é a morte”, este é o pagamento que devemos dar a Deus. Não significa morrer apenas fisicamente, mas espiritualmente (estar para sempre separado de Deus e de sua presença gloriosa). O julgamento de Deus contra o pecado será terrível, o destino final dos pecadores impenitentes e incrédulos é um lugar de tormento consciente e eterno (Ap 20.10,14-15). As figuras utilizadas pela Bíblia para falar sobre o julgamento de Deus contra o pecado são terríveis. Embora, para muitos isto seja loucura, não inventamos isso, foi criação de Deus para julgamento de todo aquele que rejeita o seu governo (Mt 24.41). Este é o veredito final da Bíblia: “não há um justo, nem um sequer”. Por isso, se você ainda não entendeu a necessidade que você tem da salvação, peço que você o faça hoje, pois chegará o dia em que toda língua confessará, todo joelho se dobrará e reconhecerá que Jesus Cristo é o Senhor.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Deus e o evangelho - Romanos 1.16-17


Uma das indagações que muitas pessoas fazem é: como podemos conciliar a pregação do evangelho que fala de amor com a apresentação de um Deus irado? Como é possível um Deus que é amor permitir que as pessoas vão para o inferno? Entender a graça divina que se manifestou em uma atitude de amor providenciando salvação a todo aquele que crê é essencial para a compreensão do evangelho. É importante que vocês tenham o conhecimento da doutrina do pecado e da salvação não apenas na sua cabeça (conhecimento intelectual/ informação), mas que elas estejam impregnadas em seus corações. Você pode ter as doutrinas bíblicas muito bem definidas em sua cabeça, mas, a não ser que elas toquem o coração e nos levem a dobrar nossos joelhos em oração, e nos motivem à prática das boas obras bíblicas, então estas doutrinas não atingiram o seu objetivo. 
Suposições sobre Deus: para muitas pessoas, mesmo para as que se dizem cristãs, Deus é uma pessoa bastante amorosa, cordial, afável que apesar de ter suas exigências, releva muita coisa por causa do seu amor. No passado até mesmo pessoas que não eram cristãs tinham um entendimento básico sobre Deus e seu caráter. Contudo, isso não é mais uma realidade, não existe uma verdade absoluta e muito menos um Deus que seja único e que exige exclusividade de adoração. Uma das razões pelas quais as pessoas têm objeções à doutrina de Deus é simplesmente uma questão de como elas tem se sentido. 
Algumas questões importantes sobre Deus:
  •  Em primeiro lugar o Deus da Bíblia é diferente das divindades pagãs, pois aquelas eram imprevisíveis e mudavam de opinião por qualquer coisa. As demonstrações de sentimentos por parte das divindades pagãs mostravam a inconstância do seu caráter. Deus, no entanto, é perfeito e puro, e nele não há mudança e nem sombra de variação (Hb 13.8);
  • Em segundo lugar o Deus da Bíblia se revela as pessoas para levá-las ao verdadeiro entendimento de Sua pessoa e de Seu caráter de maneira que elas entendam o propósito para o qual foram criadas.

Para proclamarmos o evangelho temos de começar pelo início, falando sobre o próprio Deus. É claro que você não irá dar um estudo sobre a pessoa de Deus quando estiver evangelizando, mas existem algumas verdades básicas que uma pessoa tem de compreender para que assimile as boas novas do Cristianismo. Pense nestas verdades como as boas notícias que estão por trás das más notícias que estão por trás das Boas Novas. Há duas verdades que temos de deixar bem claras quando anunciamos o evangelho.
Deus é o Criador (Gn 1.1): para se entender a história de um livro, é preciso começar pelo início. A Bíblia começa com a história de Deus criando o mundo. Tudo veio à existência por meio da Palavra e tudo veio a existir a partir do nada (Hb 11.3). A Bíblia nos mostra que Deus falou e as coisas passaram a existir. Desde então, toda criação dá testemunho da grandeza e da glória de Deus (Sl 19.1; Rm 1.20). Há algo na grandeza da criação que fala ao coração humano dizendo: “Você não é tudo que existe”. Não importa o que você pensa sobre a história da criação, as implicações de Gênesis 1 e 2 mostra – Deus criou o mundo e, em especial Deus criou você. Isto significa que tudo no mundo tem um propósito, incluindo os seres humanos. Não somos frutos do acaso, da evolução de micro-organismos ou do macaco (apesar de algumas semelhanças comportamentais). Fomos criados! Cada um de nós é o resultado de uma ideia, um plano, uma ação do próprio Deus. Isso traz significado e responsabilidade à nossa vida. Não somos seres autônomos. Entender isso é a chave para compreender o evangelho. Apesar do senso de liberdade que temos, a verdade é que fomos criados por Deus. E por nos ter criado, ele tem o direito de nos dizer como devemos viver. A ordem estabelecida no Éden mostra a nossa limitação diante de Deus (Gn 2.16-17). Isso não significa que Deus é autoritário e dá ordens movido pelo seu egoísmo e vontade de prevalecer. Não! Ele sabe o que é melhor para seu povo e lhes dá leis que preservam e aumentam a felicidade e o bem-estar. Reconhecer isso é essencial para entender o evangelho. O evangelho é a resposta de Deus ás más notícias do pecado. O pecado é a rejeição da pessoa para com os direitos que de Deus, como Criador, tem sobre ela. Deus nos criou, portanto, tem direito sobre nós.
Deus é justo e santo (Na 1.3): quando descrevemos o caráter de Deus, geralmente destacamos a sua misericórdia e o seu amor. Porém, esquecemos muitas vezes da sua justiça e santidade. Deus se revela como um Deus amoroso e compassivo, porém, ele não deixa impune o culpado. Muitos argumentam que Deus por ser amor, ignora muitas vezes o pecado. Muitos dizem que o fato de Jesus ter morrido na cruz foi justamente para que eu não receba mais a punição pelos meus erros. Isto é uma verdade, porém, precisamos entender que, a despeito dos protestos em contrário, o amor de Deus não anula sua justiça e santidade. A Bíblia declara inúmeras vezes que Deus é perfeito em sua justiça e absoluto em sua santidade (Sl 89.14; 97.2). Deus governa o universo, seu senhorio é soberano sobre a criação e está fundamentada em quem ele é, para sempre, perfeito e justo. As pessoas desejam um Deus que julgue e confronte o pecador, mas se o pecador a quem Deus vai confrontar é ele, então, este Deus se torna injusto. Quando olham para um assassino, as pessoas dizem que ela não merece o perdão, mas quando ela mata alguém com as suas palavras, pede que Deus as perdoe. No entanto, a Bíblia diz que Deus é justo e reto e que punirá todo mal que for cometido (Rm 2.6,11). Se Deus ignorasse o mal estaria negando e renunciando ao seu próprio Ser, e isso Ele não pode fazer.
Muitos não acham dificuldade em pensar em Deus como alguém amoroso e compassivo. Ao anunciar o evangelho dizem: Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida. Mas, se vamos entender quão maravilhoso é o evangelho de Jesus Cristo, devemos entender que este Deus compassivo é, também, santo e justo e está determinado a nunca esquecer, ignorar e tolerar o pecado. Incluindo o nosso próprio pecado. Bem, estas são ás más notícias. Durante os próximos domingos, vamos expor a mensagem das Boas Novas para que você compreenda o que é o evangelho e aprenda a se relacionar com Deus que é Criador, Justo e Santo.