segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Dia da Reforma Protestante - O Justo pela sua fé viverá!

Na data de hoje comemora-se 505 anos da Reforma Protestante (um movimento de reforma religiosa ocorrido na Europa, no século XVI). Lutero elaborou as 95 teses e fundamentou uma teologia que deu origem a novas denominações dentro do cristianismo. A insatisfação de Lutero, como mencionado, não tinha como objetivo promover um rompimento ou dividir a Igreja Católica. Ele queria apenas combater práticas que considerava inadequadas para que a fé católica pudesse ser reformada. No entanto, o processo iniciado por Lutero deu abertura para mudanças profundas em questões políticas e econômicas na Europa do século XVI. Ao longo da vida de Lutero, ficou estabelecido um princípio teológico conhecido como Cinco Solas, que são bases importantes para o protestantismo. São elas:

·        Sola fide (somente a fé);

·        Sola scriptura (somente e escritura);

·        Solus Christus (somente Cristo);

·        Sola gratia (somente a graça);

·        Soli Deo gloria (glória somente a Deus).

A ação de Lutero ainda influenciou outros movimentos protestantes na Europa, como o liderado por João Calvino, que originou o calvinismo, e o de Henrique VIII, que originou o anglicanismo. Com isto a Igreja Católica também reforçou a criação de seminários para aperfeiçoar a formação dos sacerdotes e procurou silenciar os protestantes por meio da Inquisição. Segundo a história, o principal texto que moveu Lutero foi Romanos 1.16-17, em especial a parte final do verso 17: “O justo vive pela fé”.

Uma das frases mais significativas da soteriologia neotestamentária, o justo viverá da fé, tem sua origem num pequeno livro profético da Bíblia Hebraica – o Livro do Profeta Habacuque. Trata-se de um texto extremamente importante para a compreensão do próprio livro de Habacuque e que depois também foi utilizado por Paulo e pelo escritor do Livro de Hebreus (Rm 1.17; Gl 3.11; Hb10.38). No texto de Habacuque o verso fala primeiramente do ímpio (uma pessoa que não teme a Deus). A palavra veio direcionada em resposta as indagações do profeta em relação a situação em que a nação de Judá se encontrava (veja Hc 1.1-4). A parte final do versículo fala do justo. O texto diz literalmente que ele “viverá” pela sua “fidelidade”. É mais difícil especificar o significado exato de “viverá” aqui. Dentre as várias alternativas, no contexto, cabe a ideia mais adequada de “ser preservado, sobreviver”, já que estamos falando da invasão dos babilônios em Judá.

Não há dúvida de que no contexto original de Habacuque o sentido do termo é “fidelidade”. Na verdade, nem existe qualquer contradição da ideia, afinal de contas “fidelidade” é a maneira concreta de expressão da “fé”, termo mais abstrato. O pensamento hebraico trabalha com ideias concretas de modo que fé e fidelidade são as duas faces de uma só realidade. Como no juízo divino, na ocasião da queda de Judá, o justo seria preservado por sua fé comprovada (fidelidade de quem crê), agora também, com a vinda do Messias Jesus, o mesmo princípio que atuou em toda a história bíblica está em ação. A vida, em seu sentido pleno, tem prosseguimento e continuidade através da confiança e dependência de Deus, manifestada concretamente. 

Deve-se notar que quando o versículo é usado no N.T. está como um princípio imutável do relacionamento do Senhor com o seu povo, não como uma predição de acontecimentos na dispensação do N.T. Em Habacuque, a divina resposta tem a intenção de estimular a esperança e a confiança daqueles que são espiritualmente filhos de Deus, enquanto dedara o destino certo do poder mundial caldeu (Babilônia). O uso que Paulo fez da passagem parece destacar o significado de viver eternamente na graça de Deus, e não somente de sobreviver as circunstâncias adversas que podem vir sobre a vida do justo. É digno de nota que a raiz desta palavra já foi usada em Hc. 1:5 com o sentido de dar crédito à palavra ou promessa de Deus. O indivíduo tem de ser fiel a Deus, à palavra e à aliança de Deus. Ele deve confiar firme ou profundamente em Deus mesmo. A fé não é um mero consentimento para com uma proposição sobre Deus conforme revelada em Jesus Cristo, Seu Filho. É o oposto do orgulho que incha, da autoconfiança. É humildade diante de Deus, uma prontidão de se conformar com a Sua vontade. É uma convicção de que Ele não pode mentir nem falhar (Hc 2:3), uma dependência apesar das circunstâncias externas (Hc 3:17). Viver significa não apenas ter segurança ou proteção nesta vida, mas desfrutar a bondade divina, que é melhor do que a vida. É ser querido por Ele, objeto do Seu cuidado.

No Novo Testamento, o apóstolo Paulo ensina com base neste verso de Habacuque 2.4 que, um princípio definido tem sido exposto nas Escrituras em relação ao relacionamento do homem com Deus e que este princípio opera mais definidamente no padrão legal do homem diante de Deus. Colocando o assunto em outras palavras, Habacuque estabeleceu um princípio através do qual a fidelidade, que é uma confiança humilde e inabalável na Palavra de Deus, foi declarada ser o instrumento que ocasiona o bem-estar e a segurança do povo da aliança. Paulo dedara que o mesmo instrumento é o meio de se alcançar a justificação diante de Deus. Fazendo assim ele não priva a ideia da fidelidade, ou da fé, do seu verdadeiro significado. Paulo, em comparação com Habacuque, alarga infinitamente o alcance da palavra “viver”, pois ele a aplica à vida futura, à esfera da salvação ou bem-estar eterno, distinguindo-a do bem-estar meramente temporal. 

A fé é o fundamento da vida cristã. Devemos confiar em Deus mesmo quando aparentemente as peças não se encaixam, pois Ele está no controle de todas as coisas. A lição é que o justo deve viver pela fé (Hc 2.4). Professar com muita determinação sua profunda fé em Deus a despeito de todo o sofrimento que se deve suportar. Quando uma nação era julgada pelos seus pecados, ímpios e justos sofrem, por isso devemos estar preparados para o pior. Apesar dos sombrios prognósticos futuros, descansemos em Deus, pois a fé deve ser mais forte do que as circunstâncias (Hc 3.17-19) e a prova disso é nossa fidelidade na promessa da salvação em Cristo e de seu governo vindouro (Ap 21.6-8; 22.7,12-13).

Referências Bibliográficas:

https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/reforma-protestante.htm#:~:text=A%20Reforma%20Protestante%20foi%20um,de%20indulg%C3%AAncias%20pela%20Igreja%20Cat%C3%B3lica.

https://escolabiblicadominical.org/licao-09-habacuque-a-fe-como-forma-de-vida/

https://bibliotecabiblica.blogspot.com/2016/06/interpretacao-de-habacuque-3.html

https://pleno.news/opiniao/luiz-sayao/opiniao-luiz-sayao-o-justo-vivera-da-fe-habacuque-24-no-texto-original.html

quinta-feira, 7 de abril de 2022

A oração eficaz – Tiago 5.17-18

Qual o segredo de uma oração eficaz? O que é preciso para que uma oração seja respondida? 

A oração eficaz está intimamente relacionada com a vida abundante que Jesus prometeu (Jo 14.13; 15.7; 16.24). Não há vida abundante sem uma vida de oração abundante. Alguém já afirmou que pouca oração gera pouco poder, nenhuma oração resulta nenhum poder, e muita oração gera muito poder; da mesma forma uma vida de oração abundante produz vida uma abundante. A importância de entender isso é fundamental, pois não basta orar, é preciso orar de modo eficaz; e a oração, para ser eficaz, não pode deixar de levar em conta as orientações ensinadas pela Palavra de Deus.

A base de uma oração eficaz está diretamente relacionada ao relacionamento com Deus: a eficácia da oração está relacionada com um coração sincero de obedecer a Deus e um desejo ardente de estar com Ele (Pv 28.9; 1Jo 5.14). Deus tem revelado claramente os seus propósitos para com os homens, não somente quanto à sua bondade, mas também quanto aos deveres da criatura para com o Criador.  

  • A oração eficaz tem a ver com a nossa submissão a Deus: Não é Deus quem tem de concordar conosco; somos nós que temos de nos submeter à sua Palavra, e habilitar-nos ao direito de todas as bênçãos prometidas (Jr 29.13). Deus nos atende por misericórdia, mas nós lhe atendemos por dever. Nós pedimos; mas é Deus quem ordena. O exemplo de Elias mostra um homem temente e submisso ao Senhor.
  • A oração eficaz é fruto da perseverança: o exemplo que Tiago usa para demonstrar a eficácia da oração é o exemplo de Elias. É a oração de quem contempla a vitória no plano de Deus. Certamente, muitas vezes Elias orou pelo povo para que Deus lhes falasse, chamando-os à conversão, para o caminho da obediência; e Deus com certeza falou. Mas o povo preferiu continuar na desobediência. Também é preciso entender que há tempo de orar com instância e há tempo de confiar com segurança. A oração eficaz é sempre acompanhada de fé e coragem para persistir diante de Deus, em atitude de quem não espera outra coisa senão a resposta na hora oportuna e a vitória certa pela providência do Senhor. Elias confiava em Deus a tal ponto de pedir algo que aos nossos olhos parece impossível e quando diante de um desafio, Ele orou tendo a plena certeza da resposta divina (1Rs 18.36-38).

Ao oramos, devemos estar confiantes de que Deus está nos ouvindo, e com um coração submisso e obediente esperarmos pela resposta segundo o querer e o propósito estabelecido por Ele(1Jo 5.14-15). Oremos com a fé que pode ser tão pequena quanto um grão de mostarda, mas que, se cultivada torna-se tão grande quanto uma árvore e gera muitos frutos. Deve haver força para persistir, pois urge fazê-lo com fé em Deus (Mc 11.22-24). Se fizermos isso experimentamos a certeza da vitória que só tem quem se aventura na jornada de oração e deposita sua fé inteiramente em Deus!

Referência Bibliográfica: SOUZA, Estevam Ângelo de. Guia Básico de Oração. Editora CPAD