sábado, 10 de março de 2018

O modelo de oração (Mateus 6.9-15)


Por ser compreensivo com nossa fraqueza, Jesus nos deu as verdadeiras palavras que temos de levar conosco ao nos aproximar de Deus. Uma forma de oração que se torna o modelo e a inspiração para todas as outras orações e que sempre nos leva de volta para si mesma como a mais profunda expressão de nossa alma diante de nosso Deus. Para apreciar corretamente essa palavra de adoração, devo lembrar que nas Escrituras nenhum dos santos nunca se aventurou a se dirigir a Deus como seu Pai. A invocação nos coloca de imediato no centro da maravilhosa revelação que o Filho veio trazer de que seu Pai também é nosso Pai. Compreende o mistério da redenção – Cristo livrando-nos da maldição para que possamos nos tornar filhos de Deus; o mistério da regeneração - o Espírito, no novo nascimento, dando-nos nova vida; e o mistério da fé – antes da redenção ser realizada ou entendida, a palavra é colocada nos lábios dos discípulos para prepará-los para a bendita experiência que ainda estava por vir.
O conhecimento do amor paterno de Deus é a primeira e mais simples, mas também a última e mais sublime lição na escola de oração. É no relacionamento pessoal com o Deus vivo, e na consciente e pessoal comunhão de amor com Ele mesmo, que a oração se inicia. É no conhecimento da Paternalidade de Deus, revelada pelo Espírito Santo, que o poder da oração será achado para criar raízes e crescer.  São na infinita ternura, compaixão e paciência do Pai infinito, em sua amorosa disposição para ouvir e ajudar, que a vida de oração encontra sua alegria.  Na verdadeira adoração o Pai tem de ser o primeiro, tem de ser tudo. Quanto mais cedo eu aprender a esquecer de mim mesmo, desejando que Ele seja glorificado, mais rica será a bênção que a oração trará. Cristo abriu a escola de oração especialmente para treinar intercessores para a grande obra de atrair, pela fé e pela oração, as bênçãos de Sua obra e amor para todo o mundo. Não pode haver nenhum profundo crescimento em oração a não ser que isso seja nosso alvo.  Assim a oração nos conduzirá à verdadeira vida de filho. Entenderemos como o Pai e o filho é a mesma coisa, e como o coração que inicia sua oração com o Seu devotado Deus terá o poder em fé para expressar esse relacionamento. Tal oração, de fato, será a comunhão e o intercâmbio de amor, sempre nos trazendo de volta em confiança e adoração.
Jesus deseja nos treinar para uma vida abençoada de consagração e serviço, na qual todos os nossos interesses estão subordinados ao Nome, ao Reino e à Vontade do Pai. Nossa oração deve ser que em nós mesmos, em todos os filhos de Deus, diante do mundo, o próprio Deus revele a santidade, o poder divino, à glória escondida do nome do Pai, de maneira que a sua vontade se manifeste também aqui na terra, como é  feita no céu. Porque a vontade de Deus é a glória do céu, o seu realizar é a bem-aventurança do céu. À medida que Sua vontade é feita, o reino do céu vem para o coração. E em qualquer lugar que a fé aceita o amor do Pai, a obediência aceita a vontade do Pai. A entrega e a oração por uma vida de obediência celestial é o espírito de oração de um filho. Quando o filho primeiramente se rende ao Pai por causa de Seu Nome, de Seu Reino e de Sua Vontade, ele desfruta as bênçãos vindas da parte de Deus. A oração deve ser acompanhada pela entrega para viver toda nossa vida em santa obediência à vontade do Pai, e na oração com confiança de que em tudo seremos guardados do poder do maligno pelo poder do Espírito que habita em nós.

                                                       Pr. Fernando Maciel (extraído e adaptado)

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

A oração em espírito e em verdade (João 4.23-24)



Deus busca verdadeiros adoradores, mas é algo raro de encontrar. A verdadeira adoração é em espírito e em verdade. Jesus veio abrir o caminho para esse tipo de adoração e Ele mesmo nos ensina a adorar em espírito e em verdade. Sendo assim, uma de nossas primeiras lições na escola de oração deve ser compreender o que é orar em espírito e em verdade e saber como conseguir isso. À mulher de Samaria nosso Senhor citou três tipos de adoração. Primeiro, a adoração ignorante dos samaritanos: "Vós adorais o que não conheceis". Segundo, a adoração inteligente dos judeus, os quais tinham o verdadeiro conhecimento de Deus: "... nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus". Finalmente, a nova e espiritual adoração que Ele mesmo veio introduzir: "Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade".
Entre os cristãos também podemos encontrar os três grupos de adoradores. Aqueles que em sua ignorância praticamente não sabem o que pedem: eles oram com seriedade, porém recebem pouco. Existem outros que possuem um conhecimento mais correto, que tentam orar com todo seu entendimento e coração e muitas vezes oram seriamente. Mas, mesmo assim não conseguem a plena bem-aventurança de adorar em espírito e em verdade. Devemos pedir ao Senhor Jesus que nos introduza neste terceiro grupo; precisamos ser ensinados a adorar em espírito e em verdade. Somente isso é adoração espiritual; somente isso nos transforma no tipo de adoradores que o Pai procura. Na oração, tudo dependerá de nosso entendimento correto e da prática de adoração em espírito e em verdade.
0 primeiro pensamento sugerido por Jesus é que deve haver harmonia entre Deus e Seus adoradores; assim como Deus é, assim Sua adoração deve ser. Quem se dispõe a prestar verdadeira adoração a Deus, a encontrá-lo e conhecê-lo, regozijar n'Ele, deve estar em harmonia com Ele, deve ter a capacidade de recebê-lo. Porque Deus é Espírito, devemos adorá-lo em espírito. Como Deus é, assim são Seus adoradores. Deus é Espírito - não limitado pelo espaço ou tempo, mas em Sua infinita perfeição é o mesmo sempre e em todo lugar - assim também Sua adoração, daquele momento em diante, não estaria mais restrita a um lugar ou forma, mas à importância. Aquele que busca orar com seriedade na "igreja" ou em seu quarto e vive a maior parte da semana ou do dia em completa desarmonia com aquilo que orou, não está adorando em espírito e em verdade. Sua adoração foi resultado de um lugar ou hora estabelecida, não de todo o seu ser. É preciso entender que Deus é Espírito: somente Ele tem o Espírito para dar. O Pai enviou o Espírito de Seu Filho em nosso coração para clamar "Aba, Pai". A adoração em espírito é a adoração do Pai no Espírito de Cristo, o Espírito de adoção. A adoração do Pai só é possível àqueles a quem o Espírito do Filho foi dado. A adoração em espírito somente é possível àqueles a quem o Filho revelou o Pai e àqueles que receberam o espírito de adoção. É somente Cristo que abre o caminho e ensina a adoração em espírito.
A adoração em espírito é a adoração em verdade; um verdadeiro relacionamento vivo com Deus, uma real correspondência e harmonia entre o Pai, que é Espírito, e o filho orando no espírito. Somos carnais e não podemos oferecer a Deus a adoração que Ele busca. Mas Jesus veio para dar o Espírito. Ele O deu a nós. Que haja a profunda confissão de nossa incapacidade de oferecer a Deus a adoração que Lhe agrada; a aptidão de uma criança para aprender, que espera n'Ele para ser instruída; uma fé simples que se rende ao mover do Espírito. A revelação da Sua infinita Paternalidade em nosso coração, a fé no infinito amor que nos dá Seu Filho e Seu Espírito para que nos tornemos filhos são sem dúvida o segredo da oração em espírito e em verdade. Ter Cristo, o Filho, e o Espírito do Filho, habitando em nós e revelando o Pai, é o que nos torna adoradores verdadeiros e espirituais.
                                                       Pr. Fernando Maciel (extraído e adaptado)