terça-feira, 13 de novembro de 2018

Deus e o evangelho - Romanos 1.16-17


Uma das indagações que muitas pessoas fazem é: como podemos conciliar a pregação do evangelho que fala de amor com a apresentação de um Deus irado? Como é possível um Deus que é amor permitir que as pessoas vão para o inferno? Entender a graça divina que se manifestou em uma atitude de amor providenciando salvação a todo aquele que crê é essencial para a compreensão do evangelho. É importante que vocês tenham o conhecimento da doutrina do pecado e da salvação não apenas na sua cabeça (conhecimento intelectual/ informação), mas que elas estejam impregnadas em seus corações. Você pode ter as doutrinas bíblicas muito bem definidas em sua cabeça, mas, a não ser que elas toquem o coração e nos levem a dobrar nossos joelhos em oração, e nos motivem à prática das boas obras bíblicas, então estas doutrinas não atingiram o seu objetivo. 
Suposições sobre Deus: para muitas pessoas, mesmo para as que se dizem cristãs, Deus é uma pessoa bastante amorosa, cordial, afável que apesar de ter suas exigências, releva muita coisa por causa do seu amor. No passado até mesmo pessoas que não eram cristãs tinham um entendimento básico sobre Deus e seu caráter. Contudo, isso não é mais uma realidade, não existe uma verdade absoluta e muito menos um Deus que seja único e que exige exclusividade de adoração. Uma das razões pelas quais as pessoas têm objeções à doutrina de Deus é simplesmente uma questão de como elas tem se sentido. 
Algumas questões importantes sobre Deus:
  •  Em primeiro lugar o Deus da Bíblia é diferente das divindades pagãs, pois aquelas eram imprevisíveis e mudavam de opinião por qualquer coisa. As demonstrações de sentimentos por parte das divindades pagãs mostravam a inconstância do seu caráter. Deus, no entanto, é perfeito e puro, e nele não há mudança e nem sombra de variação (Hb 13.8);
  • Em segundo lugar o Deus da Bíblia se revela as pessoas para levá-las ao verdadeiro entendimento de Sua pessoa e de Seu caráter de maneira que elas entendam o propósito para o qual foram criadas.

Para proclamarmos o evangelho temos de começar pelo início, falando sobre o próprio Deus. É claro que você não irá dar um estudo sobre a pessoa de Deus quando estiver evangelizando, mas existem algumas verdades básicas que uma pessoa tem de compreender para que assimile as boas novas do Cristianismo. Pense nestas verdades como as boas notícias que estão por trás das más notícias que estão por trás das Boas Novas. Há duas verdades que temos de deixar bem claras quando anunciamos o evangelho.
Deus é o Criador (Gn 1.1): para se entender a história de um livro, é preciso começar pelo início. A Bíblia começa com a história de Deus criando o mundo. Tudo veio à existência por meio da Palavra e tudo veio a existir a partir do nada (Hb 11.3). A Bíblia nos mostra que Deus falou e as coisas passaram a existir. Desde então, toda criação dá testemunho da grandeza e da glória de Deus (Sl 19.1; Rm 1.20). Há algo na grandeza da criação que fala ao coração humano dizendo: “Você não é tudo que existe”. Não importa o que você pensa sobre a história da criação, as implicações de Gênesis 1 e 2 mostra – Deus criou o mundo e, em especial Deus criou você. Isto significa que tudo no mundo tem um propósito, incluindo os seres humanos. Não somos frutos do acaso, da evolução de micro-organismos ou do macaco (apesar de algumas semelhanças comportamentais). Fomos criados! Cada um de nós é o resultado de uma ideia, um plano, uma ação do próprio Deus. Isso traz significado e responsabilidade à nossa vida. Não somos seres autônomos. Entender isso é a chave para compreender o evangelho. Apesar do senso de liberdade que temos, a verdade é que fomos criados por Deus. E por nos ter criado, ele tem o direito de nos dizer como devemos viver. A ordem estabelecida no Éden mostra a nossa limitação diante de Deus (Gn 2.16-17). Isso não significa que Deus é autoritário e dá ordens movido pelo seu egoísmo e vontade de prevalecer. Não! Ele sabe o que é melhor para seu povo e lhes dá leis que preservam e aumentam a felicidade e o bem-estar. Reconhecer isso é essencial para entender o evangelho. O evangelho é a resposta de Deus ás más notícias do pecado. O pecado é a rejeição da pessoa para com os direitos que de Deus, como Criador, tem sobre ela. Deus nos criou, portanto, tem direito sobre nós.
Deus é justo e santo (Na 1.3): quando descrevemos o caráter de Deus, geralmente destacamos a sua misericórdia e o seu amor. Porém, esquecemos muitas vezes da sua justiça e santidade. Deus se revela como um Deus amoroso e compassivo, porém, ele não deixa impune o culpado. Muitos argumentam que Deus por ser amor, ignora muitas vezes o pecado. Muitos dizem que o fato de Jesus ter morrido na cruz foi justamente para que eu não receba mais a punição pelos meus erros. Isto é uma verdade, porém, precisamos entender que, a despeito dos protestos em contrário, o amor de Deus não anula sua justiça e santidade. A Bíblia declara inúmeras vezes que Deus é perfeito em sua justiça e absoluto em sua santidade (Sl 89.14; 97.2). Deus governa o universo, seu senhorio é soberano sobre a criação e está fundamentada em quem ele é, para sempre, perfeito e justo. As pessoas desejam um Deus que julgue e confronte o pecador, mas se o pecador a quem Deus vai confrontar é ele, então, este Deus se torna injusto. Quando olham para um assassino, as pessoas dizem que ela não merece o perdão, mas quando ela mata alguém com as suas palavras, pede que Deus as perdoe. No entanto, a Bíblia diz que Deus é justo e reto e que punirá todo mal que for cometido (Rm 2.6,11). Se Deus ignorasse o mal estaria negando e renunciando ao seu próprio Ser, e isso Ele não pode fazer.
Muitos não acham dificuldade em pensar em Deus como alguém amoroso e compassivo. Ao anunciar o evangelho dizem: Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida. Mas, se vamos entender quão maravilhoso é o evangelho de Jesus Cristo, devemos entender que este Deus compassivo é, também, santo e justo e está determinado a nunca esquecer, ignorar e tolerar o pecado. Incluindo o nosso próprio pecado. Bem, estas são ás más notícias. Durante os próximos domingos, vamos expor a mensagem das Boas Novas para que você compreenda o que é o evangelho e aprenda a se relacionar com Deus que é Criador, Justo e Santo.

sábado, 10 de novembro de 2018

O que é o Evangelho? (Marcos 1.14-15; Rm 1.1-7)


A mensagem pela qual Jesus iniciou o seu ministério foi apresentar o Evangelho do Reino de Deus. Mas, o que é o evangelho do Reino de Deus apresentado por Jesus Cristo e que depois de sua ascensão ao Céu ele deixou incumbida a tarefa de todo aquele que nele viesse a crer de continuar a pregá-lo? Embora, pareça uma pergunta fácil de responder, afinal, aprendemos que Evangelho é boa nova, mas a pergunta que faço é boa nova de quê? Há muitas definições dadas pelas pessoas sobre o que é o evangelho:

  • Jesus morreu por nós, e aqueles que confiam nele podem saber que sua culpa foi perdoada de uma vez por todas;
  • Deus te ama e estará sempre com a face voltada pra você, apesar do que você fez afinal você já foi justificado de seu pecado;
  • É reconhecer e proclamar o Reino de Deus na pessoa de Jesus de que ele morreu e ressuscitou para nos dar a salvação;
Apesar destas definições não estarem de todo erradas, elas não expressam a verdadeira essência do que é o Evangelho. O Evangelho é o centro do cristianismo, é sobre onde alicerçamos nossa vida e edificamos a igreja, mas ele vai muito além do fato de dizer que “Deus te ama e tem um plano maravilhoso para sua vida.” Vou procurar oferecer uma resposta à pergunta: “O que é o evangelho?” baseado no que a Bíblia ensina sobre o mesmo. Destaco aqui, alguns pontos importantes para a nossa compreensão:

  • Um evangelho debilitado e fraco leva a uma adoração debilitada e fraca. Este tipo de evangelho afasta nossos olhos de Deus e os fixa em nosso ego;
  • A má compreensão do que é o evangelho não nos permite dar um verdadeiro testemunho de quem Deus é, quem somos e o que Ele faz;
  • A importância do evangelho bíblico nos leva a uma teologia bem fundamentada que nos impede de ser levado por qualquer vento de doutrina;
  • A má compreensão do evangelho faz com que as pessoas minimizem a mensagem para torná-la mais aceitável aos olhos do mundo;
  • O verdadeiro evangelho exige de quem ouve uma resposta diante da mensagem que lhe foi exposta.
A carta aos Romanos é a mais rica e abrangente declaração de Paulo sobre o evangelho. Esta carta é também a chave para o entendimento das Escrituras, já que aqui Paulo une todos os grandes temas da Bíblia, dentre os quais o fundamento da mensagem do Evangelho: a justificação pela fé. Esta carta abre uma perspectiva para o entendimento de como todas as partes da Bíblia se ajustam de modo claro.  Nela o apóstolo trabalha sobre a justiça de Deus, sua bondade, soberania, graça, Lei, santificação entre outros temas. Após sua breve apresentação Paulo passa a apresentar o evangelho ao qual ele foi chamado a anunciar:

  1. A origem do evangelho é Deus (1.1b): Deus é a palavra mais importante na Bíblia. Ela é um livro acerca de Deus. A boa nova apresentada é o evangelho de Deus, os apóstolos não o inventaram, ele foi revelado e confiado a eles por Deus (2Pe 1.20-21).  Esta continua sendo a convicção mais básica e primordial em que se baseia todo evangelismo autêntico. O que nós temos a repartir com outros não são, nem uma miscelânea de especulações humanas, nem mais uma religião a ser adicionada ao que já existe, na verdade, nem se trata de uma religião. É o evangelho de Deus, a boa nova do próprio Deus para um mundo perdido (Jo 3.16). Sem esta convicção, a evangelização perde todo o seu conteúdo, propósito e motivação.
  2. A  autenticidade do evangelho é atestada nas Escrituras (1.2): Para Paulo, o evangelho que ele prega não é original: é uma mensagem a muito anunciada, pois Cristo foi prometido pelos profetas (1Co 15.3-4). A Bíblia como revelação de Deus é a base de autoridade da mensagem que proclamamos. Porém, nem todos concordam com está afirmação. Muitos preferem fundamentar o Evangelho baseado na opinião de homens. Outros, no entanto, acreditam encontrar a verdade na sua experiência de vida, confiando em seu próprio coração. Contudo, a fonte que devemos ir para saber o que é verdadeiro é a Bíblia. Ela nos leva a convicção de quem Deus é e onde encontramos respostas para todos os dilemas da vida (2Tm 3.16). Portanto, é a Palavra de Deus que buscamos a fim de saber o que Ele nos disse sobre seu Filho, Jesus, e sobre as boas novas do evangelho.
  3.  A essência do evangelho é Jesus Cristo (1.3-4): A boa nova de Deus é Jesus.  Calvino declarou “apartar-se de Cristo, um passo que seja, significa afastar-se do evangelho”. Todo o evangelho está contido em Jesus Cristo: ele é o coração do evangelho. O próprio Cristo teve de mostrar a dois seguidores seus essa verdade (Lc 24.25-27). Toda mensagem do Evangelho gira em torno de apresentar a pessoa de Jesus como a solução para os pecados da humanidade.
  4. O propósito do evangelho é a obediência pela fé que nos leva a honrar o nome de Jesus (1.5-6): o propósito imediato ao proclamar o evangelho é levar as pessoas à obediência pela fé (“a obediência que vem pela fé” -NVI) que conduz a pessoa a glorificar o nome de Deus. Por sua vida de obediência a Deus, dando-nos assim o exemplo para que façamos o mesmo, Jesus foi exaltado sobre todas as coisas, merecendo receber toda honra, glória e louvor (Fp 2.8-11). A salvação que Deus proveu nos alcança mediante a fé em Jesus. E, como resposta de gratidão devo procurar viver uma vida de santificação, purificando-me a cada dia, praticando as obras que demonstrem a real mudança de vida operada por Deus na morte e ressurreição de Jesus. (Ef 2.8-10; 1Jo 3.2-3).
Conclusão
Ao analisarmos os argumentos apresentados por Paulo na carta aos Romanos, podemos reconhecer que no centro da proclamação do Evangelho estão as respostas para entender a mensagem da salvação. Existem muitas outras promessas advindas da resposta que você dá ao evangelho, mas todas elas devem levá-lo a crer (confiar) na Bíblia como revelação de Deus que o leva a ter fé em Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador, e a partir daí, buscar viver uma vida que agrade a Deus glorificando o seu nome acima de tudo. O homem por si mesmo, está incapacitado de viver conforme a vontade de Deus. A única forma do mesmo alcançar a salvação e viver uma vida de santificação é reconhecer sua incapacidade e submeter-se a Deus por meio da fé na pessoa e obra de Jesus. O evangelho é boa nova, porque primeiro existe uma má notícia: somos pecadores e Deus irá julgar os nossos pecados. A boa notícia: Jesus morreu e foi ressuscitado para perdoar os pecados de todo aquele que se arrepender e nEle crer.