terça-feira, 3 de setembro de 2013

Adoração e Louvor: entendendo biblicamente o papel da adoração no mundo pós-moderno (Marcos 12.28-31)

(Continuação do post sobre adoração)...

Mudanças na prática de adoração no período inter testamentário
Após a conquista de Israel e a destruição de Jerusalém e do Templo - local de adoração do povo, Israel sofreu drásticas mudanças na sua forma de cultuar a Deus. Os sacrifícios e as músicas deram lugar a leitura da Torá, a oração e a leitura dos Salmos. O significado de adoração agora estava fundamentada na obediência a Torá (A Lei). A sinagoga tornou-se o centro de adoração depois do exílio. O culto na sinagoga serviu como ponte entre a adoração hebraica e a cristã.

Formas de culto no Novo Testamento

Apesar de não encontrarmos uma ordem específica no culto do Novo Testamento, vemos o destaque para alguns elementos que foram muito importantes para os primeiros cristãos. Eles adoravam por meio da oração (Atos 2.42); cânticos (Colossenses 3.16); Leitura, pregação e ensino da Palavra (1 Timóteo 4.13); Ofertas (1 Coríntios 16.2); celebração da Ceia (1 Coríntios 11.23-26).
Podemos destacar cinco pontos importantes com base na consideração dessas práticas de culto:

  1. O propósito da adoração era glorificar a Deus Pai e ao Senhor Jesus Cristo;
  2. Todas as manifestações de adoração citadas tinham Cristo como centro;
  3. O Espírito Santo inspirava cada uma das práticas encontradas no culto do primeiro século D.C.;
  4. O resultado da adoração era a edificação da igreja, o povo de Deus - serviço;
  5. A participação da igreja era evidente nessas práticas de culto.


Entendendo o papel da adoração nos dias de hoje

Com isto, fica claro que tanto Israel quanto a igreja consideravam prioritárias a adoração ao Deus Todo-Poderoso. Desse modo, vemos a revelação do cerne da adoração cristã: pessoas redimidas respondendo alegremente a um Deus de amor. E agora, será que existe uma resposta direta e objetiva para a pergunta: Como fazer a igreja crescer e, ao mesmo tempo, adorar de modo íntegro? A resposta é simples, ela se encontra na resposta de Jesus àqueles que perguntaram: "Qual é o maior de todos os mandamentos?" Jesus respondeu:

"Respondeu Jesus: "O mais importante é este: ‘Ouve, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus, o Senhor é o único Senhor. Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e de todas as suas forças’. O segundo é este: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Não existe mandamento maior do que estes". (Marcos 12:29-31).

Dentro disto poderíamos estabelecer cinco propósitos para que a adoração se torne relevante para as pessoas nos dias de hoje:

  • ‘Ouve, ó Israel, o Senhor, o nosso Deus, o Senhor é o único Senhor. - Mostrar a supremacia absoluta de Deus numa sociedade onde Deus tornou-se mais uma opção religiosa do que um credo;
  • Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração - Mostrar a importância da emoção e do sentimento: embora nosso culto deva ser racional e a aceitação do evangelho é fruto da vontade da mente, a emoção é o tempero que envolve as pessoas deixando-as sensíveis ao toque do Espírito (a Palavra abre a porta da mente e a música a janela do coração);
  • Ame o Senhor, o seu Deus de toda a tua alma - Mostrar a importância da igreja onde as pessoas encontrem excelência de vida; servir  a Deus é o único meio que temos de desfrutar de nossa liberdade de vida;
  • Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu entendimento e de todas as suas forças’. - Mostrar a aplicação do conhecimento da Palavra para a transformação de vida: o conhecimento da verdade de Deus deve trazer qualidade de vida;
  • ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’.  - Mostrar que o objetivo da adoração é levar as pessoas a servir: quando as pessoas descobrem que ao servir o maior beneficiado não é o servido mas o que serve.


Essa é a base que deve nortear as decisões, ações da igreja no que concerne a adoração.

Deus abençoe sua vida e tenha um excelente dia!




domingo, 1 de setembro de 2013

Adoração e louvor: entendendo biblicamente o papel da adoração no mundo pós-moderno (Marcos 12.28-31)


Nosso mundo pós-moderno está repleto de conceitos ainda não firmados à espera de definições mais concretas e duradouras, e diria que adoração seria um desses conceitos. A primeira vista, o panorama da adoração nos dias atuais parece animador. Há uma revitalização da adoração nas igrejas em todo o mundo. Muitos cristão estão repensando o culto e amando a adoração coletiva. Frequentam os cultos, nos quais Deus está presente e se revela  de uma maneira dinâmica e envolvente. A adoração se transformou em uma fonte de energia: não se consegue mais viver sem ela.
Deus planejou a adoração terrena como se fosse uma pequena amostra do que será a adoração na eternidade. Antes de examinarmos o papel da adoração no culto e na vida das pessoas, vamos a algumas definições:

O que é Adoração?

Existem várias definições sobre adoração:

"Adoração é um encontro pessoal com Deus no qual glorificamos, magnificamos e cantamos ao senhor por sua pessoa e seus atos (...) Adoramos a Deus simplesmente porque Ele é Deus." (Robert E. Webber, professor de teologia e cultura na Wheathon College, autoridade do movimento da renovação na América do Norte).

"Adoração cristã é a alegre resposta dos cristão ao amor santo e redentor de Deus, revelado a nós por meio de Jesus Cristo." (Horton Davies, pesquisador da história da adoração).

Essas definições revelam um pouco da majestade e da maravilha da adoração cristã, mas nenhuma delas chega a esgotar o seu significado. Ela é profunda e misteriosa, ampla e variada, complexa e significativa demais para ser reduzida a uma simples definição.

A adoração na Bíblia

A Bíblia é a regra de fé e prática para os cristãos. Isso quer dizer que precisamos buscar na Bíblia a forma básica de conhecimento sobre adoração. O relato bíblico nos mostra que a adoração é a reação de uma pessoa ou um grupo de pessoas a um ato poderoso de Deus.

"Como é bom render graças ao Senhor e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo, [...] Tu me alegras, Senhor, com os teus feitos; as obras das tuas mãos levam-me a cantar de alegria." (Salmos 92:1;4).

"Venham! Cantemos ao Senhor com alegria! Aclamemos a Rocha da nossa salvação." (Salmos 95:1).

"O Senhor reina! As nações tremem! O seu trono está sobre os querubins! Abala-se a terra!" (Salmos 99:1).

"Aleluia! Dêem graças ao Senhor porque ele é bom; o seu amor dura para sempre." (Salmos 106:1).

O padrão que vemos na Bíblia é semelhante a este:
  • Deus age poderosamente em favor de seu povo;
  • O povo responde com gratidão e louvor;
  • Deus aceita os atos de adoração do seu povo.


Esse padrão se repete por toda a Bíblia e aponta para uma verdade central: o processo de adoração é sempre iniciado por Deus. Esse padrão pode ser observado tanto no Antigo como no Novo Testamento.

Expressões de adoração no Antigo Testamento:

  • Noé logo após sair da arca: "Depois Noé construiu um altar dedicado ao Senhor e, tomando alguns animais e aves puros, ofereceu-os como holocausto, queimando-os sobre o altar." (Gênesis 8:20);
  • A chamada de Abraão: "O Senhor apareceu a Abrão e disse: "À sua descendência darei esta terra". Abrão construiu ali um altar dedicado ao Senhor, que lhe havia aparecido. Dali prosseguiu em direção às colinas a leste de Betel, onde armou acampamento, tendo Betel a oeste e Ai a leste. Construiu ali um altar dedicado ao Senhor e invocou o nome do Senhor." (Gênesis 12:7-8);

A saída do povo de Israel do Egito, logo após a travessia do Mar Vermelho: "Então Miriã, a profetisa, irmã de Arão, pegou um tamborim e todas as mulheres a seguiram, tocando tamborins e dançando. E Miriã lhes respondia, cantando: "Cantem ao Senhor, pois triunfou gloriosamente. Lançou ao mar o cavalo e o seu cavaleiro".(Êxodo 15:20-21);
Davi e Salomão e a organização da nação como uma comunidade de adoração (veja ! Crônicas 23-26).

As expressões de adoração no Antigo Testamento incluíam os sacrifícios de animais, as Festas Solenes (pães asmos, primícias, colheita) entre outros rituais estabelecidos. No entanto, Deus não estava contente com a adoração de Israel (veja Isaías 1.11-17).

"Para que me oferecem tantos sacrifícios? ", pergunta o Senhor. Para mim, chega de holocaustos de carneiros e da gordura de novilhos gordos; não tenho nenhum prazer no sangue de novilhos, de cordeiros e de bodes! Quando lhes pediu que viessem à minha presença, quem lhes pediu que pusessem os pés em meus átrios? Parem de trazer ofertas inúteis! O incenso de vocês é repugnante para mim. Luas novas, sábados e reuniões! Não consigo suportar suas assembléias cheias de iniqüidade. Suas festas da lua nova e suas festas fixas, eu as odeio. Tornaram-se um fardo para mim; não as suporto mais!" (Isaías 1:11-14).

A adoração de Israel no Antigo Testamento não era estática. Começou nos altares primitivos e sacrifícios voluntários, passou pelas festas prescritas por Moisés, e chegou a elaboração iniciada no tabernáculo e organizada por Davi no Templo. Contudo, houve uma mudança drástica na adoração no momento em que a nação sofreu o julgamento divino por sua idolatria e desobediência.

(continua no próximo post)...

Deus abençoe sua vida!