O
alvo da nossa caminhada cristã é que nosso caráter seja semelhante ao de Jesus,
isto é, adquirir maturidade suficiente para viver uma vida que agrade a Deus. Mas,
para que isso aconteça é imprescindível que você cresça espiritualmente,
desenvolva habilidades para lidar com as situações da vida de forma bíblica (Hb
5.13-14). A prática da palavra de Deus é
fundamental para que você adquira essas habilidades em lidar com as provações e
tentações na sua vida, de forma que o nome de Deus seja glorificado. Ser maduro
é ser responsável, ou seja, ter a capacidade de responder com habilidade as
situações que terá de lidar na vida. Biblicamente, ser responsável é a
capacidade de responder como Deus manda que o homem responda a cada situação da
vida, independente das dificuldades. É a habilidade dada por Deus de responder
a qualquer situação da vida de acordo com os mandamentos de sua Palavra. É a capacidade de suportar a fraqueza dos
fracos, de buscar a edificação do próximo, de aceitarmo-nos uns aos outros com
as qualidades e também com os defeitos. E isso só é possível quando se nasce de
novo pela ação do Espírito que ilumina nossa mente para compreendermos a
Palavra e aceitar pela fé a nova vida em Cristo. Então, somos regenerados pelo
Espírito e recebemos a condição para mudar nossos pensamentos, palavras e ações
à medida que se vai mortificando o velho homem e recebemos de Deus o amor para
adorá-lo e servir ao próximo. Este processo de mudança operado pelo Espírito
Santo é o que a Bíblia denomina de santificação progressiva. A mudança no
caráter do salvo é um processo contínuo, em que o mesmo vai abandonando os
hábitos de uma natureza caída por causa do pecado e se revestindo por meio da
renovação do entendimento das qualidades do caráter de Cristo (Ef 4.20-24). A
meta da santificação é restaurar em nós a perfeita imagem de Deus, isto
significa ter o caráter semelhante ao de Cristo, que é a perfeita imagem de
Deus (Rm 8.28-29). A santificação é mais do que aprender o que a Bíblia ensina,
é transformar-se de tal maneira que as pessoas ficaram surpresas com a mudança
na sua vida (At 9.20-22). Deus mudou um Jacó (enganador) em Israel (Príncipe de
Deus), um Simão (inconstante) em Pedro (a rocha), um Saulo (perseguidor da
igreja) em Paulo (missionário apaixonado pelo Evangelho). A Palavra de Deus
muda as pessoas no seu modo de pensar, de falar e agir. Onde quer que haja a
manifestação do Espírito Santo, as pessoas são transformadas. A nova vida é
manifestada em um coração desejoso de fazer a vontade de Deus. Abandonar as
velhas atitudes de rebelião contra Deus e adotar novas práticas vêm como
resultado de uma vida de obediência a Palavra de Deus. A vida de santidade
depende de uma atitude de confiança na presença e no poder do Espírito que
habita em nós (Gl 5.25). Este é o princípio que deve ser praticado na vida do
salvo, é quando ele realmente crê e observa a Palavra de Deus para tornar-se
consciente das suas próprias limitações e, quando ele considera seriamente a
revelação do que a Palavra diz a seu respeito, sobre o que ele, por si mesmo,
pode ou não fazer, e o que o Espírito, que nele habita, veio realizar. A
Palavra afirma, claramente, que o salvo vive segundo o princípio da fé, quando
entende o plano que Deus traçou para a sua vida e submete-se a Ele, sabendo que
em toda e qualquer circunstância Deus nunca o abandonará (Rm 8.31-39). O salvo,
fica com a responsabilidade de se empenhar em permanecer numa atitude de
confiança no Espírito. Este deve ser o objetivo constante de sua atenção, está
é sua tarefa e o seu lugar nos importantes desígnios de Deus, buscar a
santificação. A vida cristã é vivida pela fé, pela confiança em Deus e na sua
Palavra. Este é um dos elementos mais importantes da providência divina que
caracteriza a graça de Deus em nossa vida (2Pe 1.3,4). A verdadeira mudança só acontece
quando você passa do conhecimento para a ação, baseada nas promessas e nos
recursos que Deus providenciou. Mudar é um exercício muito desafiador, pois a
mudança exige abandonar a zona de conforto. A mudança exige o desenvolvimento
de novas habilidades, a busca pelo caminho de Deus, a superação dos limites
estabelecidos pela nossa falta de fé, a crença no impossível de Deus e a
coragem para não retroceder. Para viver o ideal de Deus você precisa morrer
para si mesmo e passar a viver para Deus.
quinta-feira, 5 de julho de 2018
terça-feira, 19 de junho de 2018
Família resistindo em tempos de crise (Josué 24)
Vivemos
numa época de transtorno e mudanças. As tradições familiares estão perdendo seu
valor. Os conceitos tradicionais provindo de raízes judaico-cristãs sobre a
família estão sendo rejeitadas. O aumento da imoralidade, das ideologias
humanas e o crescente número de divórcio tem mostrado que a instituição
familiar está deixando de existir. A influência de uma cultura em que seus
valores são contrários a Palavra de Deus tem mudado a concepção de família que
as pessoas costumavam ter. O que estamos vendo hoje é a dissolução da família.
E, infelizmente, na igreja existem sinais alarmantes de que a pressão pela qual
a sociedade está passando tem afetado também a família cristã. Precisamos
reafirmar os princípios bíblicos que devem governar o lar da família cristã. Um
dos pressupostos cristãos é que foi Deus que instituiu a família (Gn 2.18-25 em
especial o verso 24). A família como Deus a criou é uma representação do
relacionamento de unidade e harmonia que existe na Tri-Unidade de Deus. A
família fala ao mundo a respeito da natureza de Deus e seus planos para a
humanidade. Á medida que a família falha em espelhar o modelo original de
relacionamento com Deus, comprometem-se todos os relacionamentos que o
indivíduo desenvolverá na sociedade.
Diante
disso a pergunta que se faz é como a família poderá resistir às crises de uma
sociedade corrompida e indiferente para com Deus?
·
A família cristã é uma representação do Reino de Deus e
por meio dela o mundo é abençoado (Js 24.3-4 – compare com Gn 12.1-3): o que Deus pode fazer pelo homem é testemunhado na
família que invoca a Deus como Senhor. Na condição de célula que faz parte de
uma sociedade (um conjunto de células que formam um corpo), a família guarda em
si a natureza e o propósito da convivência entre as pessoas. É nela que se
reproduzem de forma simplificada os padrões de relacionamento, de perdão, de
sucesso, de autoridade, de submissão, de liderança que caracteriza o sistema
maior chamado Reino de Deus – a igreja é a família de Deus, portanto a família
é o conjunto de famílias reunidas debaixo de um mesmo propósito. Ao falhar em
reproduzir essa dimensão maior, o mundo fica sem um modelo, um referencial, uma
amostra do que seja o ideal pretendido por Deus para todas as pessoas. Não há
ideologias que possa superar a família estabelecida por Deus onde o amor de
Deus se torne visível e concreto. Enquanto houver o referencial do Reino de
Deus no mundo, haverá o juízo de Deus sobre a humanidade, porque todos deverão
seguir o modelo que por Deus foi estabelecido. Enquanto houver amostra do amor
de Deus nas famílias, haverá esperança e acima de tudo a afirmação de que o
Senhor reina.
·
Na família cristã vivencia-se a redenção e o Senhorio de
Deus (Js 24.14-15): Deus escolheu uma
família para dela fazer uma nação, Ele escolheu uma família para por meio dela
trazer a salvação. Dentro da estrutura da família cristã são mantidas e
reproduzidas as condições a que Deus nos relevou na pessoa de Jesus: dignidade,
igualdade e unidade (Ef 2.11-22). Todas as vezes que surgem na família
estruturas de relacionamentos que dão abrigo a opressão, a violência, a falta
de amor, o desprezo gerando assim, o desânimo, o ódio e a amargura, isto revela
a ineficiência da sabedoria humana em buscar a redenção dos erros cometidos
pelos que fazem parte dela. Existe um padrão de relacionamento proposto para
nós que emana da própria personalidade de Deus; um relacionamento que se apoia
e se sustenta em bases consideradas frágeis pela sociedade moderna: o amor e a
capacidade de doar-se aos outros, tendo em vistas o aprimoramento de nossas
fraquezas. Enquanto a força subjuga, o amor conquista. A busca pelo poder é
egocêntrica, o amor é altruísta. A força destrói, o amor constrói. O orgulho
condena, o amor perdoa e busca a restauração do outro. O amor resgata o
verdadeiro valor das pessoas criando relacionamentos saudáveis, em que há
crescimento e edificação da família.
·
Na família cristã vivencia-se o padrão de submissão e
autoridade (Js 24.19-25): conhecendo e
entendendo, mesmo que de maneira superficial o ambiente em que se insere e se
desenvolve a família, talvez seja possível pensar na questão da submissão e
autoridade. Como vimos, a família está inserida dentro de um contexto em que
ela representa algo maior (Reino de Deus). Ela é parte de uma razão que
ultrapassa a sua razão de existir, uma célula que faz parte de um corpo que foi
resgatada com um propósito: glorificar a Deus. A autoridade reconhecida de Deus
na família dá a ela o papel de buscar desenvolver entre os seus integrantes a
busca pela maturidade, o que implica plenitude e realização enquanto ser
humano, tendo como padrão o próprio Jesus. Maturidade, aqui, significa
colocar-se, com tal inteireza e capacidade do lado de Deus, excluindo, assim,
toda e qualquer expressão humana do que se acredita ser família. A autoridade
da família está em submeter-se as diretrizes estabelecidas por Deus na sua
Palavra ajustando sua conduta as normas por ela determinadas (2Tm 3.16-17). A
relação de submissão da família e na família é aquela que foi dada por Deus
(1Co 11.3; Ef 5.22-33).
a.
A submissão na família se dá num ambiente de amor: o princípio que rege as relações do homem com Deus, é o
mesmo que rege a relação que deve haver entre os familiares: amor, voluntário,
verdadeiro e espontâneo.
b.
A submissão na família se dá num ambiente de lealdade: lealdade está intimamente ligada a fidelidade. Quando
não existe o compromisso de uns para com os outros, o clima que se cria é de
desconfiança e traição. O verdadeiro amor cria vínculos de exclusividade no
relacionamento entre os familiares.
c.
A submissão na família se dá num ambiente de serviço e
renúncia: se você não está disposto a
investir no relacionamento entre seus familiares; se você não se dá ao trabalho
de investir na sua família, então, ela logo será destruída pelas influências de
uma sociedade corrompida, pelas adversidades de um mundo caído.
A
regra do amor bíblico é Deus acima de tudo e a busca do crescimento do próximo
acima de si mesmo (Mt 22.37-40). Um amor inteligente e maduro que assume o
compromisso de cuidar, edificar e servir. A família é a base da sociedade, ela
foi criada por Deus para representar a missão do Reino: resgatar e restaurar
vidas perdidas, mediante a aplicação da redenção em Cristo Jesus. Uma família
que começa estabelecendo o compromisso de servir a Deus e abandonar as
influências de uma sociedade e suas ideologias humanas. Que tem a Palavra de
Deus como seu guia para lhe dar as diretrizes necessárias do que fazer ou não
fazer diante das crises que irão surgir. Que entende que não importa o que
aconteça “o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, o amor nunca
falha..”
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